quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Conheça os tipos de limões e as diferenças de cada um


28 DE DEZEMBRO DE 2017DICAS DA NUTRI, VARIEDADESIMPRIMIR
De acordo com estimativas, existem cerca de 100 espécies de limões no mundo. No Brasil, o limão é uma das frutas mais conhecidas e desejadas, sendo, inclusive, bastante usado no preparo de sucos, drinks, e também para dar um toque especial na culinária. E ainda: o limão também funciona como medicamento para tratamento de várias doenças. Tudo isso só é possível graças à sua versatilidade e seus benefícios para a saúde!

Se você ficou interessado nesse maravilhoso alimento e quer saber mais sobre ele, conheça agora os tipos de limões mais conhecidos e suas principais funções no preparo de refeições e bebidas. Continue lendo o nosso post e aprenda tudo o que precisa saber agora!

Benefícios do limão
Seja em sucos, chás, ou em deliciosas receitas, o limão é uma fruta que oferece inúmeros benefícios à saúde, principalmente por ser uma excelente fonte de vitamina C. Conheça agora seus principais benefícios:

Ajuda na digestão
Reduz o risco de câncer de esôfago
Ajuda a melhorar o humor e reduzir a ansiedade
Ajuda a manter o peso
]Fortalece o sistema imunológico
Equilibra os níveis de pH do sangue
Melhora a aparência da pele
Refresca o hálito
Ótimo para garganta infeccionada
Evita o envelhecimento precoce
Benefícios do limão

Os principais tipos de limões e suas utilidades
Existe uma enorme variedade de limão em todo o mundo, porém as mais conhecidas por nós, brasileiros, são:

Taiti – É considerado o tipo de limão menos ácido e mais popular no país. Para identificá-lo, basta reconhecer sua casca fina e formato arredondado. Esse limão é bastante usado em limonadas e drinks como a caipirinha, por exemplo.

Cravo ou caipira – Conhecido também como limão-rosa, possui sabor e aroma bem característicos. Sua casca é alaranjada, com nervuras. O limão-cravo é usado para temperar saladas e marinar carnes.

Galego – O limão-galego tem um formato menor e bem arredondado, com a casca fina e verde clara. Possui pouca acidez, por isso é muito usado no preparo de sorvetes, molhos, tempero, doces, drinks e sucos.

Benefícios do limão, tipos de limoes

Siciliano – Esse é o limão mais antigo do mundo, conhecido também como lisboa ou eureka. Possui casca grossa e amarelada, com formato alongado. Não é muito suculento como os demais tipos, e seu sabor é bem ácido. Suas características fazem com que ele seja perfeito para molhos e para dar mais sabor a pratos como risotos. Usado também em perfumes e cosméticos.

Dica extra

Consumir água com limão diariamente é uma ótima maneira de eliminar toxinas, regular nosso metabolismo e evitar a ação negativa dos radicais livres.

Consumir água com limão diariamente

Aprendeu todos os benefícios e utilidades dos tipos de limões mais conhecidos? Agora que você já sabe a diferença entre cada tipo, use essa maravilha no preparo de suas refeições. Com o tempo, você vai sentir os resultados incríveis para a sua saúde!

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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Dilma brilha nas charges: ‘me sinto Gisele Bündchen!’

A campanha eleitoral de 2010 foi realmente especial. Pela primeira vez, duas mulheres disputavam a Presidência da República — Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV-AC). Seus adversários eram José Serra (PSDB-SP) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL-SP). Dilma venceu a eleição, mas desde sua chegada à chefia da Casa Civil, em substituição a José Dirceu, já chamava a atenção de Chico Caruso. As primeiras charges em que protagoniza são de novembro de 2005, quando foi retratada em diversas situações de confronto com o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no auge da crise do mensalão.
Em charge publicada na edição do GLOBO de 13 de novembro de 2005, Dilma é retratada por Chico Caruso ao lado dos senadores do PMDB Ney Suassuna (PB), José Sarney (AP) e Gilberto Mestrinho (AM). Na legenda do desenho: “Aqui entre nós, me sinto a Gisele Bündchen!”
Três anos depois, Dilma já ascendera no governo e tornou-se figurinha frequente nas charges de Chico. Em março de 2008, por exemplo, foi desenhada como o coelhinho da Páscoa. O ovo que carrega tem a inscrição PAC, numa referência às obras pelo país do Programa de Aceleração do Crescimento que comandava. Em 13 de janeiro de 2009, quando já despontava como nome forte à sucessão, aparece com novo visual, levando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a botar óculos para observá-la melhor.
Um ano depois, em 22 de fevereiro de 2010, Chico desenhou Dilma se aproximando de José Serra na corrida eleitoral. No mesmo ano, em 13 de julho, a então candidata consulta o polvo Paulo sobre o resultado do pleito — o animal ganhara fama supostamente adivinhando os resultados da Alemanha na Copa do Mundo da África.
Em 1º de outubro, o cartunista volta à imagem de uma corrida para retratar Dilma vencendo a disputa. Três dias depois, ela e Serra estendem um tapete — verde, é claro — para Marina Silva: a petista e os tucanos buscavam o apoio da ex-adversária para o segundo turno. No fim das contas, Dilma venceu: em 31 de outubro, aparece ajoelhada em uma urna. Mas mal teve tempo de comemorar. Nos dias 4 e 5, Chico brincou com a responsabilidade que esperava a nova presidente: em duas charges, mostrou Lula entregando a Dilma um pepino e um abacaxi.
O período do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, concluído em 2014, foi especialmente fértil para o cartunista, que produziu dezenas de charges sobre o assunto. No dia 26 de novembro de 2012, Chico faz uma releitura da foto que foi um dos destaques da semana, quando Dilma ajudou a soltar a capa de Joaquim Barbosa, que ficou presa a uma cadeira na ocasião do seu discurso de posse na presidência no STF. "Me larga, me solta, me deixa!", gritaria o ministro.
Durante a apertada disputa das eleições presidenciais de 2014, Dilma e Aécio Neves (PSDB-MG) dividem a cena em um duelo de dedos que apontam um contra o outro, como ironizou o desenho do dia 19 de outubro. A governante levaria a melhor nos resultados, e continuaria a estrelar charges como a do dia 24 de julho de 2015, onde aparece equipada com uma bicicleta, empurrada pela Advocacia-Geral da União e interrompida pelo Tribunal de Contas da União. A brincadeira associava o esporte praticado por Dilma às chamadas pedaladas fiscais, um dos gatilhos do processo de impeachment discutido em 2016 e que foi acolhido para julgamento pelo Senado, em 11 de maio, após votação na Câmara, obrigando Dilma, na manhã seguinte, a se afastar do governo.


domingo, 14 de agosto de 2016

cocovan

O ano começa, muitas promessas, a vida continua, então não espere o Carnaval chegar pra começar as atividades, coragem!! Quer algo inspirador, barato e fácil? Fica aqui nossa sugestão, o Coq au vin, pronuncia-se cocovan, o nome afrancesado pode até talvez assustar, mas o prato você vai ver, é bem mais simples do que parece e vai fazer o seu frango do dia a dia sair um pouco da rotina, ficar mais sofisticado e vai ser gostoso.

Fizemos esse prato no penúltimo Lá em Casa e o resultado foi muito bom,  para umas quatro pessoas você vai precisar de:
– 1 cenoura  média
– 1 cebola branca grande
– salsão
– 1 garrafas de vinho tinto
– 8 coxas inteiras ( coxa e sobre coxa)
– caldo
O prato começa com o caldo, em uma panela grande derrame o vinho, a cenoura, a cebola e o salsão cortados em pedaços grandes, quando começar a ferver espere dez minutos, desligue e espere esfriar.
Quando a panela estiver fria coloque o frango e deixe marinhando, de preferência de um dia para o outro.
No dia seguinte,  ascenda o fogão e deixe o frango como está na panela, quando começar a ferver conte dez minutos, retire o frango e deixe o vinho reduzir, acrescente ao molho sal e pimenta do reino a gosto.
O frango estará semi cozido e assim que sair da panela com o vinho coloque em outra panela refogando na manteiga até dourar, depois retire e  reserve em outra vazilha.
A essa altura o molho já deve ter reduzido um pouco, espere esfriar e misture novamente com o frango.
Agora é só esperar as visitas, colocar a bebida pra gelar e preparar os acompanhamentos. No dia servimos com purê de batata doce, baroa e inglesa com azeite trufado, cebolinha e baby cebola, mas não precisa ser exatamente isso, pode ter arroz com lentilha, farofa de cebola, o que mais você preferir e tiver em mãos.
Na hora de servir de novo coloque a panela para ferver, quando começar a  ferver desligue e transfira o frango para a outra panela e doure novamente, acredita que dá certo, vai ficar uma beleza e vai valorizar bem a carne do frango.

Se arrisque, abs
Esdras
Arquivado em Carnes, Edições, Menus, Receitas

Coq au Vin

Coq au vin é um prato típico da culinária francesa, feito à base de carne de galo (opcionalmente frango) e vinho. Quando se menciona apenas “coq au vin”, trata-se duma preparação com vinho tinto. [1] No entanto, também há receitas de “Coq au vin blanc” (geralmente, não francesas) [2] , mas existe a receita tradicional de “Coq au vin blanc d’Alsace” ou “Riesling”, [3] assim como o “Coq au vin jaune” do Jura ou Franche Comté, que é um vinho seco e perfumado; a receita leva “morilles”, que são cogumelos do género Morchella e têm um sabor forte [4]
Diz a lenda que o prato surgiu por volta de 50 a.C., por um motivo histórico. Os gauleses (liderados por Vercingetórix) estavam em guerra com os romanos, até que o exército de Júlio César cercou uma aldeia e o chefe mandou um galo de briga a César, que respondeu com um convite para um jantar feito com o próprio galo cozido no vinho da região. [5]


O galo se tornou um ícone popular francês após a queda do império romano e o motivo foi um simples trocadilho. A palavra gallus podia significar tanto galo em latin, quanto gaulês, na língua local. Desde então os franceses possuem uma grande afinidade com a ave e ela é símbolo da várias federações esportivas além de uma grande marca de artigos esportivos.
Cultura inútil a parte, a França tem o galo, ou o frango, mais famoso do mundo gastronômico, mais precisamente na região de Bresse, ao sul da Borgonha. Lá é o lar do renomado Poulet de Brésse. A raça de penas brancas e pés azulados é considerada a mais saborosa e existe inclusive uma denominação de origem controlada para a criação destes frangos, com severas regras e padrões altíssimos de qualidade.
Não é de se estranhar que na mesma região exista um dos pratos mais famosos da França, o Coq au Vin. Tradicionalmente, este prato é feito com um galo velho, cuja carne dura fica macia e suculenta depois de cozida por horas em vinho tinto. É uma preparação similar a outro prato tão famoso quanto, o Bouef Bourguignon, também feito com cortes de carne duros, mas que ficam deliciosamente macios depois do longo cozimento.
Mas se você não tem acesso tão fácil assim a um galo velho, nem a um poulet de Bresse, não se acanhe, pois uma boa galinha caipira também é muito apropriada para este preparo. Sirva-se de um bom vinho, seja da Borgonha ou não, e aproveite este prato rico e saboroso.


Ingredientes:
  • 1 frango caipira de cerca de 2 kg
Marinada:
  • 1 garrafa de vinho tinto
  • 1 cenoura
  • 1 cebola
  • 1 talo de aipo
  • 4 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • Alguns raminhos de tomilho
  • 2 cravos da índia
Para finalizar:
  • 2 colher de sopa de óleo de girassol
  • 50g manteiga + 25 para as cebolinhas
  • 4 colheres de sopa de farinha
  • 250g cogumelos paris pequenos
  • 200g bacon defumado (pedaço)
  • 150g cebolinhas
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 1 colher de sopa de salsa picada
  • Sal e pimenta do reino
Modo de Preparo
Separe o frango em pedaços: 2 coxas, 2 sobrecoxas, 2 coxinhas das asas e 2 peitos (ainda com osso). Seu açougueiro terá todo o prazer em fazer isto caso você não queira se dar ao trabalho. Corte cada peito ao meio, dividindo-os em 2 pedaços cada, no final você terá 10 pedaços. A carcaça e as pontinhas da asa, guarde para fazer um caldo quando quiser fazer um bom risotto.
Pique a cebola, a cenoura, o talo de aipo e os alhos grosseiramente. Tempere os pedaços de frango generosamente com sal e pimenta e coloque-os em um pote plástico. Cubra completamente com vinho tinto e adicione todos os ingredientes da marinada. Deixe de um dia para o outro.
No dia seguinte retire os pedaços de frango da marinada e seque-os bem. Peneire a marinada, reservando o vinho e descartando os legumes. Passe os pedaços de frango na farinha de trigo e depois dê uma sacudida para retirar o excesso.
Coloque a manteiga e o óleo em uma panela e deixe esquentar. Doure bem os pedaços de frango, de todos os lados, e adicione o vinho da marinada que estava reservado. Tampe a panela e deixe cozinhar em fogo bem baixo por cerca de uma hora. Se preferir, também pode-se colocar a panela fechada no forno a 200º e deixar cozinhar por cerca de 2 horas no forno. Enquanto o frango cozinha, sempre vá retirando com uma concha a espuma e gordura que vai subindo à superfície.
Como o frango irá demorar para ficar pronto, prepare as guarnições. Retire a pele do bacon e corte-o primeiro em fatias grossas, de ½ cm de espessura, e depois corte as fatias em “bastões”, com a mesma espessura das fatias. Leve ao fogo em uma frigideira e começe em fogo baixo, mexendo de vez em quando até que o bacon libere sua gordura. Aumente então o fogo e frite-os na própria gordura, mexendo sempre, para que fiquem dourados por igual. Retire-os do fogo e deixe escorrer sobre papel toalha.
Limpe os cogumelos com um pano e corte cada um em 4 pedaços. Volte com a frigideira do bacon para o forno e aqueça bem. Refogue os cogumelos nesta frigideira até que eles ganhem cor e comecem a parecer úmidos. Reserve e espere o frango ficar cozido.
Descasque as cebolinhas. Coloque-as em uma panela onde elas não se sobreponham e adicione água apenas para cobri-las. Acrescente também a manteiga, o açúcar e um pouco de sal. Ligue o fogo e deixe cozinhar até que toda a água evapore e as cebolinhas caramelizem na mistura de açúcar e manteiga.
O frango está bom quando os pedaços ainda estiverem inteiros mas carne estiver soltando do osso. Adicione o bacon e os cogumelos ao frango, misture e adicione também um pouco de salsa picada. Corrija o sal e a pimenta e sirva acompanhado de batatas, arroz ou macarrão.
Foto de capa por Jon Olav Eikenes / CC BY 2.0

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A fábula da lagarta e do girino


Uma lagarta e um girino apaixonaram-se e decidiram casar
Mas, no dia do casamento, a lagarta entrou no casulo e dormiu; e o girino, muito chateado com a noiva, resolveu esperar.
Tempo depois, abriu-se o casulo e saiu uma linda borboleta de asas multicoloridas e o girino tinha chegado a sapo, feíssimo.
Então a borboleta disse: com um sapo tão feio não sou eu que vou casar. E acelerou as asas e voando tentou fugir. Mas o sapo atirou o linguão, apanhou a noiva/borboleta e… comeu-a!
Moral da fábula: não importa se você é feio; se tiver uma boa língua sempre vai comer alguma fêmea.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Novos paradigmas


Hoje, com a pós modernidade, predominam o efêmero, o individual, o subjetivo e o estético.
A morte da modernidade merece missa de sétimo dia? Os pais da modernidade nos deixaram de herança a confiança nas possibilidades da razão e nos ensinaram a situar o ser humano no centro do pensamento e a acreditar que a razão sem dogmas e donos construiria uma sociedade livre e justa.
Pouco afeitos ao delírio e à poesia, não prestamos atenção à crítica romântica da modernidade - Byron, Rimbaud, Burckhardt, Nietzsche e Jarry. Agora, olhamos em volta e o que vemos? As ruínas do Muro de Berlim, a Estátua da Liberdade tendo o mesmo efeito no planeta que o Cristo do Corcovado na vida cristã dos cariocas, o desencanto com a política, o ceticismo frente aos valores. Somos invadidos pela incerteza, a consciência fragmentária, o sincretismo do olhar, a disseminação, a ruptura e a dispersão. O evento soa mais importante que a história e o detalhe sobrepuja a fundamentação.
O pós-moderno aparece na moda, na estética ou no estilo de vida. É a cultura de evasão da realidade. De fato, não estamos satisfeitos com a inflação, com a nossa filha gastando mais em pílulas de emagrecimento que em livros e causa-nos profunda decepção saber que, neste país, a impunidade é mais forte que a lei.
Ainda assim, temos esperança de mudá-lo. Recuamos do social ao privado e, rasgadas, as antigas bandeiras de nossos ideais transformam-se em gravatas estampadas. Já não há utopias de um futuro diferente. Hoje, no mínimo é considerado politicamente incorreto propagar a tese de conquista de uma sociedade onde todos tenham iguais direitos e oportunidades.
Agora predominam o efêmero, o individual, o subjetivo e o estético. Que análise de realidade previu a volta da Rússia à sociedade de classes? Resta-nos captar fragmentos do real (e aceitar que o saber é uma construção coletiva). Nosso processo de conhecimento se caracteriza pela indeterminação, descontinuidade e pluralismo.
A desconfiança da razão nos impele ao esotérico, ao espiritualismo de consumo imediato, ao hedonismo consumista, em progressiva miamização de hábitos e costumes. Estamos em pleno naufrágio ou, como predisse Heidegger, caminhando por veredas perdidas.
Sem o resgate da ética, da cidadania e das esperanças libertárias, e do Estado-síndico dos interesses da maioria, não haverá justiça, exceto aquela que o mais forte faz com as próprias mãos.
Ingressamos na era da globalização. Graças às redes de computadores, um rapaz de São Paulo pode namorar uma chinesa de Beijing sem que nenhum dos dois saia de casa. Bilhões de dólares são eletronicamente transferidos de um país a outro no jogo da especulação, derivativo de ricos. Caem as fronteiras culturais e econômicas, afrouxam-se as políticas e morais. Prevalece o padrão do mais forte.
A globalização tem sombras e luzes.

Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.



O canto das sereias


A família peemedebista se sucede nas instâncias do poder com direito a conceder a aliados cargos e prebendas.
Ei-lo: o Partido do Movimento Democrático Brasileiro à frente das duas casas congressuais: o Senado (Renan Calheiros) e a Câmara dos Deputados (Henrique Eduardo Alves). Nem na Roma antiga, republicana, tal fenômeno parecia possível. Em nome da divisão de poderes, as famílias nobres cultuavam a diversidade como antídoto ao absolutismo. Aqui não; a cobra fuma e não expira.

O PMDB terá, a partir de 2015, uma bancada de 19 senadores, 66 deputados federais, e governará sete estados. De fato, é um partido repartido em tendências inclusive antagônicas. Nele há de tudo, desde o testemunho ético de um Pedro Simon às recorrentes denúncias de corrupção que historicamente pesam sobre alguns de seus líderes. Ele pratica, mais que a democracia, a demoarquia, originária do verbo gregoarchein, que significa ser o primeiro, estar à frente, no sentido de comandar processos.

Ora, pra que plebiscitos se, há décadas, vivemos no regime parlamentarista? O PMDB exerce a função de primeiro-ministro, o Executivo preside. Ou quem sabe estamos, sem nos dar conta, em plena monarquia! A família peemedebista se sucede nas instâncias do poder com direito a conceder a correligionários e aliados cargos e prebendas.

Não importa que os discursos sejam outros. Na Inglaterra, enquanto o parlamento grita, a rainha reina. Aqui, idem. Haja o que houver, estamos em mãos do mais despudorado fisiologismo, cujos discursos sobrevoam eloquentemente as práticas do clientelismo e do compadrio. Se o mundo gira e a Lusitana roda, os governos se sucedem e o PMDB impera. Hay gobierno, soy a favor, grita a ala dos peemedebistas acostumada a mamar nas tetas da máquina pública...

Coitado do doutor Ulysses Guimarães e toda a sua luta por uma democracia participativa! Conta Homero, na "Odisseia", que Ulisses encontrou na Ilha das Sereias curiosas criaturas com cabeças e vozes de mulheres, mas com corpos de pássaros que, com doces canções, atraíam marinheiros ao encontro das rochas. Quando o barco se aproximou, uma calmaria se abateu sobre o mar, e a tripulação utilizou os remos. De acordo com as instruções de Circe, Ulisses tampou os ouvidos da tripulação com cera, enquanto ele próprio foi amarrado ao mastro, de modo que pudesse ouvir a canção e passar a salvo pelo perigo. "Aproxime-se Ulisses!", cantavam as sereias. Ulisses resistiu, mas quantos, a bordo do transgoverno chamado PMDB, são capazes de tapar os ouvidos ao canto das sereias?

Narra ainda Homero que Penélope, fiel esposa, rechaçou todos os pretendentes, até que surgisse um homem capaz de atirar com o arco de Ulisses. Nenhum deles conseguiu. Até o dia em que um mendigo tomou em mãos o arco, retesou-o e, na mesma hora, Penélope reconheceu nele seu amado Ulisses.

A democracia brasileira espera, como Penélope, o dia em que poderá reconhecer sua plenitude na inclusão social daqueles que, hoje, se nos apresentam como o maltrapilho Ulisses.

Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.